Ana Julia Corcino
sábado, 30 de agosto de 2014
Sua partida
"Eu que nunca falei que te amava, eu que nunca me declarei para você, eu que nunca cheguei na frente da sua casa com um presente como você que sempre fazia quando vinha me ver, hoje a saudade aperta o meu peito, as noites não são como antes, lembro-me de você me ligando para perguntar como havia sido o meu dia e eu sempre sem animação respondia sempre a mesma coisa " foi bom". Você foi sem escrúpulos a melhor coisa da minha vida mas eu não soube aproveitar, você sempre me tratou com amor, carinho e tudo que um namorado apaixonado faria, e eu bem, eu nunca me importei e hoje vejo como me faz falta. Aquela tarde chovia e eu não sabia por que mas alguma coisa no meu coração me avisa algo mas o que ? Deitada na sala naquela tarde de novembro chuvosa, do lado de fora a chuva cai sem piedade, eu sentia meu celular vibrar eu meu bolso, atendi chamada vendo que se tratava do meu amor, você me pediu para que na manhã seguinte te esperasse na rodoviária, sem animo nenhum eu aceitei, a tarde se passou como sempre, a noite já havia chegado, tinha acabo de sair do banho com os pensamentos longes, me deitei na cama e por um momento me vi pensando por que você estava comigo, eu não era capaz de te dizer um eu te amo, eu não era capaz de te fazer um agrado eu simples não era capaz de te merecer, aqueles pensamentos não saiam da minha cabeça, eu estava decidida que faria tudo ao contrario, estava decidida que daquele dia em diante eu te ligaria apenas para dizer o tamanho do meu amor por você, com aqueles pensamentos me sobrecarregando não percebi que hora eu havia pegado no sono. O dia la fora já clareava, me levantei as pressas para que desse tempo de dar uma passada na padaria para lhe compra algo, tomei um banho rápido para despertar, em minutos já estava descendo as escadas pegando as chaves e indo a seu encontro. A fila da padaria estava grande e parecia não andar, na minha vez pedi dois cafés e um sanduíche comum, o seu preferido. A rodoviária ficava distante do ponto onde me encontrava, na radio local tocavam musicas românticas me fazendo lembrar dos nossos momentos juntos. Meu celular tocava dentro da bolsa eu achando que era você logo atendi mas por um monte perdi totalmente o rumo da vida, perdi o sentido, perdi minha noção, perdi meu chão. No telefone não era você era sua mãe dizendo que o ônibus que você estava havia capotado e ninguém havia sobrevivido, por um estante eu me vi perdida, como seria o meu mundo sem você, como seria minha vida sem o calor do seu abraço. Sem pensar muito nos meus atos, arremessei o celular pela janela e sem rumo, sem noção do que estava fazendo segui o caminho que nós sempre fazíamos quando você vinha me ver. Parei carro a poucos metros do penhasco, me sentei ali e a imagens começaram a passar na minha mente e as lagrimas caiam involuntariamente. Você me abraçando me falando juras de amor e eu rindo achando tudo aquilo muito clichê. Agora que eu havia te perdido para o céu, sabia que você estaria olhando por mim, mas a dor que estava no meu peito era insuportável, eu não sentia mais vontade de sair daquele local era como se ali fosse o único lugar que poderia sentir você comigo, poderia sentir você presente, mas eu estava me sentindo culpada, eu poderia ter te impedido dizendo que eu que iria a seu encontro e nada disso iria acontecer, que eu iria ter você pra sempre, mas eu não conseguia me conformar que você havia partido sem me dar um beijo ou me chamar de chata. Os dias foram se passando eu não conseguia levantar da cama, eu ainda tinha esperança de sua mãe me ligar e e dizer você havia sobrevivido, mas não isso não ia acontecer por que eu não fui capaz de te impedir eu simplesmente acetei, mas agora as consequências vinham atona, eu não tinha mas você pra dizer que me amava, agora um vazio fazia parte do meu coração. Hoje com todas as dificuldades eu sigo a minha vida, mas toda a noite eu entro no meu quarto e me deparo com nossas fotos coladas na parede, lembranças, foram o que sobraram de nós, eu trocaria tudo na minha vida para te ver por um segundo pra ter a oportunidade de te beijar, de ter a oportunidade de te dizer o tão esperado eu te amo que nunca saiu da minha boca"
E agora ?
"E agora o que vai ser de nós ? na verdade acho que "nós" nuca existiu, acho que era apenas um sentimento de posse, acho também que apenas gostávamos da companhia um do outro, acho que sou capaz de achar que me apaixonei por você"
Ana Julia Corcino
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